Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental, o que faz os outros quatro serem suspeitos de assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

384 páginas | Editora Galera Record |  Ver no Skoob

Lançado ainda este ano, “Um de nós está mentindo”, de Karen McManus, foi a escolha para a leitura do Clube do Livro do qual participo. Ele já havia entrado em minha lista TBR (“to be read”), mas confesso que não planejava lê-lo tão cedo, pelo menos não este ano. Mas ainda bem que o li! Apesar de não achá-lo uma das leituras mais memoráveis que já fiz, eis um livro que foi bem interessante.

Breakfast club dos assassinos

Bom, no início do livro não me impressionou muito. Os personagens me pareceram bastante genéricos e sem personalidade, na verdade uma representação dos estereótipos clássicos do atleta, da rainha do baile, da nerd e do delinquente juvenil.

A única coisa que parecia diferenciar os personagens de “Um de Nós Está Mentindo” e o “Clube dos Cinco” de John Hughes é a sombra de um assassinato pairando sobre eles. Felizmente, rapidamente fica claro que a utilização desses clichês clássicos foi feita de maneira proposital pela autora.

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Quem acha os estereótipos americanos manjados demais levanta a mão!

De fato, ela se apropria desses estereótipos e os explora, mostrando que, por mais manjado e transparente que alguém pareça ser  – como o atleta perfeito do time de baseball ou a nerd que fica bonitinha quando tira os óculos -, no fundo, as pessoas são muito mais profundas do que sua imagem exterior mostra.

Todo mundo tem segredos

O livro é escrito em primeira pessoa, e alterna entre o ponto de vista dos quatro estudantes suspeitos de assassinato. Esse ritmo de narrativa é bacana, porque faz com que a leitura seja dinâmica e me manteve presa na história e curiosa.

De fato, o que mais gostei no livro como um geral foi o modo como a autora conseguiu manter o mistério sobre o assassinato pairando no ar. Mesmo quando um dos personagens refletia sobre os acontecimentos e falava claramente sobre sua inocência, sempre havia um “quê” que parecia insinuar que ele não era de todo inocente.

Afinal, todo mundo tem segredos.

Clichês que acabaram funcionando

Fora os estereótipos explorados propositalmente, temos alguns clichês que acabaram funcionando para o ritmo do livro. Entre eles, um romance (que não falarei muito para não ser spoiler para alguém) que, apesar de manjado, acabou me conquistando; e uma ou outra reviravolta que já estamos acostumados em outras histórias de adolescentes norte americanos.

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A menina esquisita que fica fofa com maquiagem é outro clichê que todo mundo ama, mesmo que não admita

Num todo, o livro funcionou bem e, apesar de eu ter suspeitado (e acertado) sobre o culpado já no meio, o ritmo me manteve interessada em lê-lo até o final. E foi uma ótima leitura.

Veredito final: 4 ⭐️