Deborah e Joanna, duas colegas de faculdade, submetem-se a experiências na área de fertilização humana em troca de dinheiro para darem entrada em um apartamento e fazerem uma viagem a Veneza. Quando voltam para Boston, Joanna não consegue resistir ao impulso de descobrir o destino dos óvulos que elas doaram. Deborah fica seduzida pela idéia e a curiosidade transforma-se em obsessão, à medida que a poderosa cortina de sigilo imposta pela clínica as impede de descobrirem o que querem saber. Elas prosseguem a investigação, principalmente depois de constatarem algumas irregularidades perturbadoras. E a verdade que elas finalmente trazem à tona supera os piores pesadelos que suas mentes poderiam conceber.
448 páginas | Editora Record | Ver no Skoob
Quem acompanha meus (escassos) posts por aqui, sabe que Robin Cook é um dos meus autores preferidos da vida (e para quem ainda não sabia, tem uma pista sobre isso na minha resenha de “Vida Assistida”, da Tess Gerritsen). Troquei “Choque” através do Skoob (ei, me adiciona lá! Mantenho ele sempre bem atualizadinho), e claro que estava com bastante expectativas. Afinal, de todos os livros que li do mestre Cook, acho que não teve nenhum que não tenha gostado até então.
Mas aí veio a decepção.
O verdadeiro “choque” foi a qualidade da narrativa
Robin Cook é um mestre do suspense médico. Assim como Tess Gerritsen, ele tem uma habilidade formidável de inserir detalhes técnicos sobre medicina no meio da narrativa, através de diálogos, pensamentos dos personagens e descrições. Isso é feito de forma sutil, e a leitura não se torna cansativa apesar desses detalhes. Essa é uma das coisas que adoro na escrita de Cook, e (Graças a Deus) isso se manteve em “Choque”.
Infelizmente, acho que essa foi a única coisa boa que posso dizer sobre a narrativa.

Eu não esperava isso vindo de você, sr. Cook 🙁
Essa é a primeira vez que não gostei de um livro do Robin Cook, e o ritmo da história contribuiu fortemente para isso. Diferentemente de outros livros do autor (principalmente os que fazem parte de série de Jack Stapleton & Laurie Montgomery), não há em “Choque” um enredo com início, meio e fim bem definidos, permeados pelo suspense que já tanto amamos. O que temos é uma ideia que claramente não foi bem trabalhada e o livro se arrastando ao redor dessa ideia.
O problema de personagens forçadas
O estilo de Robin Cook é bem marcado pela presença de personagens – principalmente femininas – fortes, decididas, curiosas e impulsivas. Geralmente, são personagens humanas, que cometem erros e até tomam algumas decisões que causam aflição no leitor, mas que no geral são sempre carismáticas. É impossível não simpatizar com alguma das personagens de Cook.
Em “Choque”, porém, essa “espontaneidade” das personagens principais – Deborah e Joanna – foi um tiro pela culatra.
Ambas me soaram extremamente forçadas, principalmente a Deborah. Sabe aquela personagem engraçadinha demais, que toma algumas atitudes que deviam fazê-la parecer destemida e espontânea, mas que na verdade a transformam em uma chata? Eis Deborah. Em algumas passagens, ela é tão forçada que senti que aquilo não parecia coisa do Robin Cook.
A outra personagem, Joanna, veio em contraponto à Deborah, sendo mais sensata e pé no chão. Porém, esse jogo de “os opostos se atraem” pretendido por Cook com duas personagens tão antagônicas deixou a narrativa cansativa. Existem diversas passagens longas em que as personagens discutem por bobeiras, sem acrescentar nada à história. Fiquei muito surpresa por encontrar personagens tão ruins em um livro do Robin Cook.

A fórmula meio “Thelma & Louise” não rolou pra mim
Um tema bom desperdiçado em uma história ruim
Como podemos conferir na sinopse, o tema principal da história é a aventura dessas duas amigas após fazer uma doação de óvulos em uma clínica de fertilidade meio suspeita. O tema levantado por Cook para essa trama é interessantíssimo, e traz muitas questões éticas sobre as clínicas que fazem trabalho com fertilização artificial. Cook é conhecido por abordar temas polêmicos em seus livros, geralmente com respaldo em casos reais (como em Coma), então fiquei interessada para saber mais sobre os assuntos que ele menciona ali.

Você já tinha ouvido falar em Pulmão de Aço? É um ventilador que permite a uma pessoa respirar em caso de paralisia dos músculos da respiração. Me deixou meio assustada e ainda assim queria saber mais, mas tive que procurar no Google, porque o Robin Cook só faz uma rápida menção a isso.
Infelizmente, esse tema tão bacana é pouco explorado na trama, dando espaço para acontecimentos desnecessários que arrastaram a história para um desfecho um tanto decepcionante.
Sinceramente, senti que “Choque” se distancia de forma gritante de todos os outros livros (que já li) de Cook, a ponto de parecer ter sido escrito por outra pessoa. Terminei a leitura com a sensação de que o autor o escreveu por obediência a um contrato com uma editora ou algo assim.
Sinto muitíssimo, sr. Cook, mas não deu pra engolir “Choque”, não.
Veredito final: 2,5 ⭐️
E vocês? O que acharam de “Choque”? Também gostam do Robin Cook? Vamos conversar! 🙂



