O mês de abril foi um mês muito produtivo para mim, não apenas em relação às leituras, mas também em relação à pós graduação e ao meu dia a dia em casa e no trabalho. Mas meu maior orgulho foi conseguir conciliar todos os meus afazeres e fechar o mês com o saldo de 8 livros lidos!

Assim, o post de estreia desse meu blog novinho em folha será dedicado às minhas leituras do mês de abril. Vamos lá?

1 – Abandono – Meg Cabot

Sou muito fã da Meg Cabot desde o Diário da Princesa e A Mediadora, mas ainda não conhecia a série Abandono. Estava em busca de algo mais leve e tranquilo de ler – como os livros da Meg são – e, dando uma busca rápida na minha incrível e gigante lista de livros que um dia eu lerei, me deparei com esse título e rapidinho o peguei com o Kindle Unlimited. Fã de mitologia grega como sou, fiquei super interessada na história, que traz em sua essência a lenda de Perséfone, filha da deusa das estações, raptada e obrigada a morar no submundo com Hades, o Deus da Morte.

Pierce Oliviera, nossa protagonista meio esquisita, tem dezessete anos. Após passar por uma EQM (experiência de quase morte), ela retorna à Isla Huesos, terra natal de sua mãe, para tentar recomeçar a vida após o trauma. Além de ter de lidar com o estresse de uma escola nova e o divórcio dos pais, Pierce também se vê perseguida por um misterioso rapaz com pinta de roqueiro – que ela conheceu durante o período em que esteve morta. John Hayden nada mais é que uma espécie de rei do submundo, e parece que está sempre de olho nela. Pierce não consegue compreender bem o que se passa no coração do rapaz (isso se ele de fato tiver um), e nem no seu próprio quando está perto dele.

Apesar da empolgação inicial, confesso que achei tudo um pouco chato no começo, porque a protagonista não me cativou muito. Pierce não tem o humor rápido e ácido de outras personagens de Meg Cabot, como a Suzannah Simon ou minha querida Mia Thermopolis, nem é tão esperta ou interessante quanto a Heather Wells. Ah, e aquela coisa de ficar babando pelos bíceps, peitorais e etc (como todas as personagens da Meg fazem) fica meio chata com a Pierce. Achei ela um pouco sem sal.

Saudades Mia Thermopolis

Porém, dando um crédito a ela, durante o desenrolar da história Pierce vai amadurecendo e no final cheguei a simpatizar mais com ela. De fato não foi minha leitura preferida da Meg, mas acho que as continuações (Inferno e Despertar) podem ser interessantes.

 

2 – Peter Pan – James M. Barry

Todo mundo conhece a história do menino que não queria crescer e vivia na Terra do Nunca, acompanhado dos meninos perdidos e da fada Sininho.

Porém, ler o romance de James Barry me trouxe um olhar muito diferente sobre a história de Peter Pan e Wendy, fora todas as adaptações para o cinema que já vi e tanto amo (sendo Hook a minha preferida!). Apesar de ser uma história primariamente direcionada ao público infantil, nós como adultos podemos aprender muito com a história criada por Barry. Primeiro, temos que usar um pouquinho de pó mágico, pensar em uma coisa bem boa e seguirmos para a segunda à direita, e direto até amanhã de manhã…

…porque a ilha estava procurando por eles. É só quando isso acontece que alguém consegue avistar as praias mágicas da Terra do Nunca.

A história de Peter Pan trata de forma delicada e sensível os principais conflitos internos e externos por quais passamos como crianças – o desejo de crescer, o instinto materno, a desobediência, a maldade intrínseca e de certa forma inocente, a ingenuidade, o ambiente familiar. Acho muito interessante como a Wendy ainda é uma menininha, mas ainda assim age como adulta ao se responsabilizar como mãe dos Meninos Perdidos e como deseja que o Peter seja como um pai para eles. De forma sutil, conseguimos entender diversos aspectos humanos através de como as crianças se relacionam na Terra do Nunca.

E não posso deixar de mencionar o Capitão Gancho, na minha opinião um dos melhores vilões literários que já tive o prazer de conhecer. Inteligente e obcecado por “bons modos”, James Gancho possui uma história interessantíssima. Apesar de ser o “único homem temido por Long John Silver”, estava sempre em busca (inconscientemente) de uma figura materna.

Dustin Hoffman é o melhor Capitão Gancho da história do cinema e quero ver quem vai negar!

Depois de ler esse livro, várias coisas fizeram sentido no filme “Hook” (1991), que assisti diversas vezes na infância. A cena em que a filha do Peter diz que o capitão Gancho é só “um homem velho e sem a mãe dele” agora fez todo o sentido e deu até uma dor no coração.

 

3 – Arrase! – RuPaul Charles 

Bom, quem me conhece sabe que sou fã de carteirinha de RuPaul’s Drag Race e da própria RuPaul, que é um ícone da história drag. 

O livro é um híbrido entre a trajetória de vida de Ru, desde o começo até onde ela está hoje, com dicas de moda, maquiagem e truques para quem tem o desejo de se montar como drag queen. É bem rápido e gostoso de ler, porque Ru tem um humor maravilhoso, cheio de tiradas e piadas sobre o mundo drag, além de um jeito de através da escrita conversar com o leitor como se fossem amigos.

Assim como no reality de RuPaul’s Drag Race, mama Ru está sempre te incentivando a abraçar sua beleza interior e a valorizar seus pontos fortes para exacerbar sua beleza exterior. É interessante, porque algumas coisas simples como sua postura ao andar de saltos altos podem fazer toda a diferença para quem está te observando.

Acho que o livro poderia ser um pouco mais profundo – tanto sobre a história da Ru (eu adoro biografias e adoraria ler uma sobre ela) quanto em relação às dicas, que são um pouco superficiais. Mas valeu a leitura! You better work!

 

4 – Titanic: Minuto a Minuto – Jonathan Mayo

Provavelmente a leitura mais intensa que fiz esse mês (quiçá esse ano), esse livro de Jonathan Mayo é um relato estritamente fiel sobre tudo o que aconteceu no fatídico naufrágio do Titanic – desde sua saída de Southampton até seu último suspiro no meio do oceano Atlântico.

Para conseguir esse nível de detalhamento, o autor exaustivamente consultou entrevistas com os sobreviventes e com parentes de pessoas que morreram no naufrágio, além de reportagens dos jornais da época, registros de inquéritos e audiências. Todos os relatos, cartas e demais informações foram reunidas e dispostas por Mayo em uma linha do tempo extremamente concisa que nos ajuda a entender por quê afinal o Titanic afundou – apesar de ser considerado o Navio Inafundável –  e também por quê essa tragédia é relembrada com pesar até hoje, mais de 100 anos depois.

O filme Titanic (1997), dirigido pelo James Cameron, é meu filme preferido de todos os tempos. Depois de ter lido o livro de Mayo, amo e admiro o filme ainda mais – Cameron tomou um cuidado extremo ao retratar o que aconteceu naquela triste madrugada de abril de 1912. Ok, Jack e Rose não são reais, nem o romance deles. Mas a grande maioria dos personagens que conhecemos no Titanic existiram de verdade. Sabe o que também é real? A cena em que Rose está no bote e pula de volta para o Titanic; a cena em que Rose está no mar junto com centenas de pessoas se debatendo para sobreviver na água congelada e um cara começa a se apoiar na cabeça dela para não afundar; a cena em que ela e o Jack estão felizes e se beijando no convés quando os dois vigias noturnos os vêem e comentam sobre como o casal tinha sorte, logo antes do Titanic bater no iceberg. Tudo isso foi tirado de diversos relatos de sobreviventes da tragédia, e Cameron os mostrou através da personagem de Rose.

Diversas testemunhas viram uma mulher realmente pular do bote salva vidas de volta para o navio, assim como Rose.

A adaptação de Cameron é tão fantástica que até as falas de diversas personagens foram realmente ditas, como as de Thomas Andrews (interpretado por Victor Garber), que ficou no navio até o fim ajudando as pessoas a entrarem nos botes. Os oficiais Lightoller e Murdoch, a Inafundável Molly Brown (vivida pela genial Kathy Bates), o sr. Gugenheim, assim como muitos outros personagens também existiram. Sabe a cena super triste do quarteto de cordas tocando Nearer my God to thee até o fim? Também foi real.

Não consigo assistir esse filme sem me acabar de chorar

 

5 – Onde está Elizabeth? – Emma Healey

Eis uma leitura com narrativa interessantíssima. Pedi no meu instagram a opinião de meus seguidores sobre qual thriller eu deveria ler naquela semana, e esse foi o título mais votado. Para ser sincera, eu nem tinha lido a sinopse antes de começar a ler, então foi tudo uma surpresa.

Maud, nossa protagonista, narra a história em primeira pessoa. Esse é um ponto muito curioso, pois Maud é uma senhora de 80 anos que possui Alzheimer. Assim, através de uma narrativa um pouco confusa e não linear, a doce Maud nos traz para dentro de seu mundo, que gira em torno de aguardar ansiosa pela visita de sua filha e neta e pelas visitas à casa de sua amiga Elizabeth. Como esquece frequentemente das coisas, Maud costuma anotar pequenos bilhetes e recados para si mesma e guarda nos bolsos. Eis que um dia ela se depara com o bilhete “Elizabeth está desaparecida”. Maud sente que precisa fazer alguma coisa, mas ninguém lhe dá ouvidos. Como investigar o desaparecimento de sua melhor amiga se não consegue nem se lembrar das pistas?

Achei a narrativa bem interessante por conta dessas idas e vindas de Maud ao passado e ao presente, e também senti um pouco como se sentem as pessoas que possuem Alzheimer ou outros problemas relacionados à memória. Leitores que têm parentes que sofrem dessas doenças podem se sentir um pouco afetados pela leitura, pois através das pessoas ao redor de Maud observamos também as dificuldades que essas pessoas passam, além da intolerância que pode ser gerada pela impaciência de quem cuida delas.

6 – Misery – Stephen King

Ahh, o Sr. King… o rei do terror, rei dos melhores livros, rei do meu coração!

Misery (Louca Obsessão) é a terceira história que li esse ano que envolve pessoas confinadas por sequestradores (os outros dois livros que li sobre esse assunto foram Quando os Adams saíram de férias, de Mendal W. Johnson e O Colecionador, de John Fowles – inclusive, Stephen King menciona o romance de Fowles em Misery).

Paul Sheldon é um escritor bon vivant que publicou uma série de livros de sucesso com a personagem Misery como protagonista, responsável por sua fortuna e reconhecimento no círculo literário. Após um período de tempo isolado em um hotel nas montanhas para finalizar a escrita de um novo romance – um que não envolve Misery, pois apesar de ser seu maior sucesso, Paul a odeia -, ele pega seu carro para voltar para casa, exultante com sua nova obra. Porém, ao comemorar a conclusão de seu livro, Paul se empolga demais na champagne e acaba sofrendo um acidente de carro na estrada coberta de neve, ficando inconsciente.

A primeira coisa que Paul sente ao voltar de volta à vida é o bafo horroroso de alguém fazendo respiração boca a boca nele. Eis que então conhecemos Annie Wilkes, uma personagem maravilhosamente construída e que vai habitar nossos pesadelos assim como passa a habitar os pesadelos de Paul. Acontece que Annie, ex-enfermeira com jeito meio pudico, é a “fã número 1” de Paul e dos romances de Misery, e ela se sente honrada em poder cuidar de Paul.

Na adaptação para o cinema, a maravilhosa Kathy Bates como Annie

Até aí tudo bem, até que Paul percebe que as intenções de Annie não são tão honrosas quanto ele esperava… Após terminar a leitura do último romance de Misery e detestar o final que Paul escreveu, ela se mostra uma mulher sinistra, com alguma perturbação mental e de nervos, de vez em quando assumindo um “olhar de abismo” que delata um eminente surto de violência e loucura. Aproveitando-se da condição vulnerável de Paul, que está com as duas pernas quebradas por consequência do acidente de carro, Annie então o obriga a escrever um novo livro da saga Misery, mantendo-o cativo e dependente de remédios para dor, que são sua compensação quando ele “se comporta”.

Mais uma vez, Stephen King me manteve grudada em um livro, quase sem conseguir largá-lo. Acho incrível a habilidade que ele tem de nos fazer entender exatamente o que ele quer dizer. Eu conseguia imaginar perfeitamente como era o “olhar de abismo” de Annie.

Claro que aproveitei a deixa do livro e assisti à adaptação para o cinema, com a Kathy Bates como Annie. Para quem já viu o filme mas não leu o livro, só posso dizer: A Annie do filme é bem mais boazinha.

 

7 – Em Algum Lugar nas Estrelas – Clare Vanderpool

Li esse livro para o clube do livro Infinistante do qual estou participando. Ele já estava na minha lista desde 2016, mas toda vez que ia comprá-lo, comprava outro no lugar. Apesar de ter lido agora em versão e-book, sei que a capa e a diagramação desse livro são maravilhosas (mais um trabalho #topíssimo da Darkside) e sempre tive curiosidade em lê-lo.

A história do livro é bem fofa. Passada no fim da segunda guerra, temos Jack Baker, um garoto de 13 anos que recentemente sofreu a dura perda de sua mãe. Sem saber como lidar com sua própria dor e a do filho, o pai de Jack o manda para um internato no Maine, onde o garoto se depara com diversas novidades (nem todas coisas boas): seu primeiro contato com o oceano, sua inaptidão em relação a outros alunos, a falta que sente de sua mãe, e um colega um tanto esquisito chamado Early.

Early é um personagem curioso e muito cativante, que, apesar de não ser explicitamente descrito como autista, sabemos se tratar de um garoto diferente. Jack também percebe essa característica em Early, e apesar de não saber bem como lidar com ela, aprende junto com o amigo mais sobre si mesmo do que imaginava.

Early e Jack então embarcam em uma jornada “em busca do número Pi”, guiados por uma história enxergada por Early nos números. Essa jornada acaba sendo para Jackie uma aventura e uma viagem em busca de si mesmo.

“Ele pode se perder e me levar junto, mas é melhor do que ficar perdido e sozinho”.

Achei a leitura bem tranquila, apesar do ritmo um pouco lento no início. Achei bacana o modo como a autora descreve os hábitos de Early de uma forma sutil, e de como o olhar infantil de Jack nos guia pela história. É uma história sensível sobre achar seu próprio lugar no mundo, mesmo quando achamos que não nos encaixamos em nenhum lugar.

 

8 – Baía da Esperança – Jojo Moyes

A última leitura de abril também foi para um clube do livro do qual participo. Apesar de já ter lido Como eu era antes de você e ter chorado horrores com a história da Lou, confesso que não estava muito animada para esta leitura, porque tenho cada vez menos vontade de ler romances. Porém, essa era uma oportunidade de voltar a lê-los e dar uma nova chance para uma história que realmente me cativasse. Eis que não me arrependi!

Como personagens principais temos Mike, um executivo londrino que viaja até uma pequena cidadezinha litorânea na Austrália para avaliar o projeto de construção de um resort de luxo, e os habitantes daquele pacato local: Kathleen, uma senhora de 75 anos conhecida localmente como “Dama do Tubarão” e dona do hotel Baía da Esperança; Hannah, uma esperta menina de 11 anos que vive no hotel com sua tia avó Kathleen e sua mãe, Liza; e Liza, sobrinha da Dama do Tubarão e dona do barco Ishmael, onde leva turistas para observar baleias e golfinhos.

Um livro que se passa na Austrália e fala muito sobre golfinhos. Tem como não amar?

Uma das coisas que mais gostei na história foi esse cenário delicioso de uma cidade pequena e litorânea, com seu modo de vida girando em torno do mar e da observação de baleias e golfinhos. Jojo conseguiu com sucesso me transportar para esse lugar; eu quase conseguia sentir aquele cheiro de sal no ar, a brisa morna que vem do oceano e o barulho das ondas.

Eu senti também que a história poderia facilmente ser adaptada para o cinema em um estilo meio comédia romântica, meio drama, com a Meg Ryan no papel de Liza, ou algo assim, sabe? O enredo é gostoso, simples, até um pouco previsível mas sem deixar de ser interessante. Além das informações legais sobre o modo de vida de baleias, golfinhos e outros animais aquáticos, até surge um pequeno mistério para apimentar um pouco a história.

Bom, essas foram minhas leituras de abril! Gostei de todas, o que é meio raro de acontecer (sempre tem um ou outro livro que acaba me decepcionando)…

E vocês? Já leram alguns livros dessa lista? Gostaram? E quais foram suas leituras de abril? Comenta aí pra gente conversar! 😉