Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Editora Intrínseca | 272 páginas | Ver no Skoob
Confesso que eu estava bastante curiosa para ler este livro. A hype que acompanhou seu lançamento conseguiu atingir proporções homéricas por fragmentos de críticas e resenhas que surgiam aqui e ali descrevendo o livro como “perfeito para os fãs de Stephen King e Stranger Things” e coisas assim.
De fato, o romance de estreia de C.J. Tudor é similar a Stranger Things e algumas obras do King: é ambientado nos anos 80, possui crianças como protagonistas e gira em torno de um mistério que rompe as barreiras do tempo e acompanha o protagonista desde sua infância até a meia idade.
De maneira geral, achei o suspense de “Homem de Giz” bem resolvido – ele me manteve presa às suas paginas do início ao fim, ardendo de curiosidade para entender o que estava acontecendo e qual a resolução do mistério que envolve o tal Homem de Giz.
Achei o final conclusivo e bem definido, e algumas revelações me deixaram de boca aberta e bem satisfeita.
Porém, alguns pequenos detalhes me incomodavam um pouco durante a leitura, e só por causa disso o classifico como 4,5 de 5 estrelas.
Inspiração em Stephen King (até demais)
Como comentei acima, a inspiração que a autora teve nas obras de Stephen King é bem visível, se não gritante. Por exemplo, podemos observar diversos elementos que surgiram em IT, A Coisa, e que marcam bem a obra de King: temos a turma de crianças com um garoto gordo e uma menina ruiva que todos gostam; a ambientação nos anos 80; adolescentes babacas e problemáticos; sumiços de crianças; crimes e acontecimentos que aconteceram no passado e reverberam até o presente.

Porém, a inspiração de Tudor em King não invalida a obra em sua originalidade, porque apesar de todas as semelhanças, o mistério desenvolvido no enredo do livro foi bem construído.
Podemos esperar que, para um próximo livro, a autora já consiga se desvincular um pouco das inspirações em King para trilhar seus próprios passos e construir seu próprio estilo.
Morbidez (quase) passando do ponto
Temos em mente que “Homem de Giz” se trata de um suspense, não necessariamente um terror, mas a autora se aproveitou de alguns elementos um tanto mórbidos para dar dramaticidade e certo peso a algumas passagens.
Sou muito fã de terror e, para mim, quanto mais gráfica uma cena, melhor (é, sou daquelas que adora uma carnificina com descrições tétricas). Porém, senti que alguns desses elementos foram utilizados pela autora de forma um tanto gratuita, nem sempre quando eram necessários.

Pecar pelo excesso, mesmo em um livro, onde ficamos à mercê de nossa imaginação, pode ser ruim de vez em quando.
Algumas explicações deixaram a desejar
Confesso que a resolução de alguns mistérios, lá no fim do livro, foi um tanto anticlimática. Não irei dizer exatamente o quê, para evitar spoilers, mas senti como se a autora estivesse, desde o começo, fazendo uma estrutura extremamente elaborada, cheia de detalhes, para no fim finalizar de qualquer jeito, apresentando um resultado final não tão bom como parecia.
Senti que houve um pouco de pressa para concluir “Homem de Giz” e talvez por conta disso essas explicações tenham ficado tão rasas e superficiais.
Minha impressão final foi de que a conclusão do mistério foi bacana, mas um dos elementos principais ficou esquecido e rabiscado às pressas.

De qualquer forma, foi uma ótima leitura, cada capítulo me deixando mais intrigada e aguada para entender o mistério. Um ótimo romance de estreia de C.J. Tudor. Espero que ela escreva novos romances para conhecermos mais de sua imaginação mórbida e intrigante.



