O dia começa como qualquer outro. Rachel Klein deixa no ponto de ônibus a filha de 13 anos, Kylie, e segue sua rotina. Mas o telefonema de um número desconhecido muda tudo. Do outro lado, uma voz de mulher avisa que Kylie está no banco de trás de seu carro, e que Rachel só verá a filha de novo se pagar um resgate ― e sequestrar outra criança.
Assim como Rachel, a mulher no telefone é mãe, também teve o filho sequestrado e, se Rachel não fizer exatamente o que ela manda, o menino morre, e Kylie também. Agora Rachel faz parte da Corrente, um esquema aterrorizante que transforma os pais das vítimas em criminosos ― e, ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico.
Editora Record | 378 páginas | Ver no Skoob
Shut up and dance
Achei a ideia de “A Corrente” bastante original. Apesar de a ideia de um esquema de sequestro e chantagem não ser novidade – lembram daquele episódio arrepiante de Black Mirror (Shut Up and Dance, S03E03)? -, achei o tema bem aproveitado como um thriller, porque ele possibilita uma exploração ainda mais profunda das personagens e dos acontecimentos.

Fora a trama interessante, achei a escrita do autor muito boa. Acho que esse thriller deu certo em grande parte por causa do modo como o autor conduziu a história.
O ritmo foi bem acelerado, sem muitas descrições, sem devaneios longos das personagens e focando onde tinha que focar, e, em minha opinião, McKinty conseguiu fazer isso do jeito certo.
Pontos altos
Um ponto alto foram dois personagens principais, a começar por Rachel, a protagonista. Eu simpatizei com ela, a achei forte – em diversos níveis -, e também gostei muito de como o McKinty fez ela ser tão atual e empática. Ela já foi motorista de Uber, gosta de mandar piadinhas sem graça para a filha dela, tem uma relação saudável com o ex-marido. Achei Rachel muito humana e eu torcia por ela com todas as minhas forças.
Já Pete, cunhado da Rachel e tio da Kylie, é ex fuzileiro e aparece na história para cumprir um papel fundamental para os acontecimentos. Eu gostei muito do Pete, achei ele bastante humano e, ao mesmo tempo, um pouco clichê, mas de um jeito agradável. Sabe aquele personagem que precisa existir para ligar os pontos? Então. Esse é o Pete.

Acho que posso citar também como um dos pontos altos, sem sombra de duvida, a escrita do Adrian McKinty.
Como eu comentei, o ritmo do livro é acelerado e direto ao ponto, mas sem deixar pontas soltas. Além de me deixar extremamente agoniada a cada página, porque o autor brinca com aquela montanha russa de acontecimentos – em um momento, parece que está tudo certo, até que…. Bam! Lá vem uma reviravolta, um looping que nos deixa de estômago revirado.
Outro aspecto que gostei neste livro foi que o enredo intercala algumas passagens com o passado de certas personagens, fazendo com que entendamos o contexto e o pano de fundo do caráter delas. E ele faz isso de uma forma também direto ao ponto, sem descrições e devaneios longos.
Fora a escrita de Adrian e o ritmo da história, outro ponto forte que encontrei foram certos assuntos que surgem no decorrer do livro e me fizeram ficar com a pulga atrás da orelha sobre algumas questões.
Algumas questões para pensar
A primeira, e mais óbvia, foi a questão ética e moral que está por trás do esquema da Corrente. Afinal, as pessoas se tornavam criminosas contra sua vontade, e eram obrigadas também a encobrir o crime das outras, criando realmente essa corrente de crimes, chantagem e terror.
Comecei a me questionar, nesse ponto, do que somos realmente capazes para proteger quem mais amamos. E se fosse comigo? E se eu estivesse no lugar da Rachel? Eu teria coragem de sequestrar uma criança para proteger quem eu amo?
Fica aí o questionamento.
Outra questão que também é bem abordada nesse livro é sobre nossa privacidade nessa era de redes sociais e globalização da informação. Podemos dizer que realmente temos algum tipo de privacidade, quando postamos a todo tempo o que estamos fazendo, onde estamos, com quem estamos?

Pontos baixos
Uma das (poucas) coisas que não me agradou cem por cento foram alguns acontecimentos no final do livro.
Como já deixei bem claro, o ritmo é bastante acelerado, então acho que o clímax foi um tanto abrupto; eu esperava um pouquinho mais de elaboração para ele, mas não foi uma decepção. Foi mais como uma quebra de expectativa, porque achei que um livro com ritmo tão alucinante merecia um final mais épico, de certa forma.
Veredito final: 5 ⭐️
Fico segura em classificar essa leitura com 5 de 5 estrelas por ter sido um livro diferente dos últimos que li, que me deixou arrepiada em muitas passagens e até mesmo agoniada. Além disso, me fez refletir MUITO, o que considero aí um fator determinante.
Será que eu seria capaz de desafiar a Corrente?



