Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar pois a voz da sereia é fatal , logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.
326 páginas – Editora Seguinte – Ver no Skoob
Hora de tirar as teias de aranha daqui desse blog para falar de um livro que terminei recentemente: A Sereia, da Kiera Cass. Não costumo escrever resenhas, mas dessa vez senti que precisava falar um pouquinho sobre esse livro. Infelizmente, não porque eu gostei muito, mas exatamente pelo contrário. Não posso dizer que me decepcionei totalmente com o livro, porque na verdade já comecei a lê-lo sem expectativa nenhuma, mas ele conseguiu ser ainda pior do que eu estava imaginando 🙁
Bom, o fato é que as sereias são seres mitológicos que sempre me fascinaram muito desde criança. Todas elas, em todas as suas versões, em todas as suas personificações. Então, quando vi o título desse livro, resolvi arriscar a leitura por causa do tema. Afinal… sereias! E confesso que estava me atirando de cabeça em uma leitura que eu sabia que possivelmente não ia gostar; afinal, li toda a série de “A Seleção” da Kiera Cass e não gostei de nenhum dos quatro livros (mas isso fica para outro post).
Problema 1 – O mito das sereias
Uma coisa que podemos dizer de A Sereia é que a leitura não é o problema – como sempre, a escrita de Cass é agradável e é bem adolescente, com descrições que não deixam muito para a imaginação do leitor. Temos outra protagonista um pouco sem sal, que fica difícil de gostar cem por cento do tempo por conta de suas introspecções adolescentes.
Mas isso dá para relevar. O que realmente me desanimou foram algumas decisões da autora em relação a liberdade artística que ela tomou interpretando o mito das sereias. Começando pelo fato que as sereias não tem caudas, e sim…. vestidos de festa esvoaçantes. Tudo bem, é uma releitura moderna do mito – tal e qual Stephenie Meyer fez ao descrever vampiros que brilham no sol -, mas não me agradou nem um pouco. Quando eu li, verdade seja dita, achei bem tosco.

Sereias com vestidos de festa feitos de água salgada…
Outra interpretação do mito das sereias trazida pela autora foi o fato de a Água (sim, com “A” maiúsculo) ser uma entidade que precisa se alimentar de humanos de tempos em tempos. As sereias são servas da Água, e devem servi-la por 100 anos causando naufrágios. Na verdade, a criação dessa “entidade” não me deixou de todo incomodada, até o momento em que os diálogos com Kahlen retratavam a Água de uma forma exageradamente humana e maternal. Não dava para levar a sério uma entidade que escraviza meninas para causar naufrágios mas também “embalava” a Kahlen até ela dormir e tinha ciúmes que ela conhecesse algum garoto.
Problema 2 – As personagens
Tudo bem, falei ali em cima que a Kahlen nem era o problema principal do livro, mas todas as personagens num todo são manjados demais. Clichês são legais até certo ponto, porque deixam o leitor confortável com personalidades que ele já conhece e assimila. Porém, sinto que os personagens de A Sereia foram criados só para agradar os leitores num geral, sem de fato ter uma importância maior para a trama.
Além do Akinli, o menino perfeito e fofo, educado, sonho de toda menina, que convida a personagem principal para fazer um bolo com ele no alojamento da universidade, temos as irmãs sereias de Kahlen, sendo uma oriental que – surpresa! – é artista (mais um estereótipo que o pessoal não cansa de usar).
Mas o que me deixava mais frustrada durante a leitura era o fato de que Kahlen e as irmãs estavam servindo a Água há mais de 50 anos (a própria Kahlen já estava como sereia há 81 anos), mas a maturidade delas continuava igual a de garotas de 16 anos!

Um dos encantos de ser uma sereia é permanecer jovem e linda como se era no dia em que foi transformada, tudo bem, concordo. Mas depois de ter passado 80 anos matando pessoas afogadas e conhecendo diferentes lugares ao redor do mundo, você não esperava que Kahlen amadurecesse pelo menos um pouquinho?
Outra coisa que me incomodou com todos os personagens num geral era que todo mundo aceitava tudo. Sabe o que quero dizer? Parecia que todos os personagens secundários simplesmente concordavam com todas as coisas bizarras que estavam acontecendo só para poder se encaixar na trama. Senti que a autora estava com preguiça de criar obstáculos para as coisas acontecerem, então tudo se resolvia muito fácil e do nada.
Problema 3 – O romance
Tudo bem, tudo bem, o livro É um romance. Mas que romance chato.
Na maior parte do livro, não acontece absolutamente nada – Kahlen fica depressiva por causa desse romance e passa páginas e páginas descrevendo seu sofrimento, enquanto as irmãs sereias apenas atuam como plano de fundo, sem de fato servir para nada na história. Acho que só uma das irmãs fez realmente diferença, e ela nem aparece tanto assim durante a trama para eu decidir se gosto ou não dela.

Romance previsível e enrolado…
Não vou dar spoilers sobre o final, mas achei ruim e bastante previsível. Tudo bem, nós sabemos que romances geralmente trazem finais felizes, mas o que nos motiva a continuar lendo um livro ou assistindo a um filme é o que vem antes desse final. É a curiosidade de ver como os conflitos serão resolvidos de forma a levar-nos ao tão esperado final feliz. Porém, A Sereia não me trouxe essa expectativa, e eu já estava achando a resolução da trama tão óbvia que quase (apenas quase) pulei para o final.
Mas, se levarmos em consideração que Kiera Cass tomou para si as dores de escrever contos de fada modernos, então ela está indo no caminho certo, pois esse livro de fato contém elementos que a gente reconhece apenas nesse tipo de história.
Pontos positivos
Por menos que eu tenha gostado da leitura, nenhum livro só deixa marcas ruins. Tenho que dar os créditos para Kiera Cass em alguns pontos que me agradaram:
A escrita dela é bem agradável e torna a leitura rápida (li o livro em menos de 2 dias). Além disso, gostei de alguns lugares que ela escolheu para ambientar alguns trechos da história (como uma cidadezinha pequena no Maine). Por fim, teve um acontecimento no final do livro que eu até achei ok. Não vou falar mais porque seria um spoiler, então fiquem na curiosidade!
Veredito final: 2,5 ⭐️
Mas e vocês? Quem já leu esse livro e gostou? Vamos conversar sobre sereias! 🙂




Lídia
Daniella , oie
Então, eu tenho série problema com essa autora, mas como só li um livro dela quero ler os outros para tentar mudar as coisas. Mas eu tenho certeza que não vou ler A Sereia, rsrs.
Você foi bem clara sobre os pontos que te incomodaram, e acho super certo vocês falar sobre ele. Mas que bom que mesmo depois dos problema o livro conseguiu se surpreender um pouco, rsrs.
Um abraço!
Dani Parra Tello
Oi Lídia!
Pois é, tenho sérios problemas com a Kiera Cass também, e achei que A Sereia fosse me ajudar a superar, mas infelizmente só piorou hhahahahah
O santo não bateu, acontece né :p
Obrigada por ter passado por aqui!!
beijos!