Em uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia suspeite de suicídio, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo mais por trás dessa história. Seu interesse pelo caso não é gratuito: Ashley é filha do famoso e recluso diretor de filmes de terror Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de trinta anos e que, no passado, teve um papel trágico na vida de McGrath.
Impulsionado por vingança, curiosidade e necessidade de descobrir a verdade, o jornalista é atraído para o horripilante e hipnótico mundo de Stanislas. Da última vez que chegou perto do cineasta, McGrath perdeu o casamento e a carreira. Dessa vez, pode acabar perdendo muito mais.

Ver no Skoob |Editora Intrínseca | 622 páginas

Eis que me torno uma Cordovita

Talvez com uma das capas mais lindas da minha estante, Filme Noturno foi um livro que me surpreendeu da primeira à última página.

Eu sempre tive curiosidade em lê-lo – principalmente por causa dessa capa tão intrigante, com o título em efeito holográfico e a foto misteriosa no fundo -, e eis que o acho dando sopa em uma vendinha de livros usados no Largo 13.

Uma capa incrível, que contém uma história ainda mais intrigante.

Porém, Filme Noturno se mostrou bom muito além da capa. Gostei também da estrutura narrativa do livro, intercalando a história com recortes de jornais, artigos e outras fontes de informação, que dão profundidade e o contexto necessário à história sem interromper o fluxo narrativo.

As fotos são outro toque interessante também, apesar de às vezes eu preferir imaginar as personagens ao invés de ver fotos delas. Isso se aplica, sobretudo, à Ashley uma personagem que aparece morta logo no começo do livro, mas nos acompanhará ao longo de toda a história. 

Usando e abusando dessas referências de certa forma metalinguísticas, a autora conseguiu criar um universo dentro de outro – o universo de Cordova – um pseudo Hitchcock, com toques ainda mais sombrios – dentro do livro. É uma dimensão dentro de outra, o mistério e os acontecimentos se entrelaçando de tal forma que não sabemos o que é real e o que é imaginação.

Uma das cenas foi descrita de uma forma que me lembrou muito Stephen King – conseguiu provocar dentro de mim uma sensação um tanto pesada, porque era exatamente o que a personagem estava sentindo. Eu me senti confusa junto com ela, perdida, como se dentro de um sonho. Quando um livro provoca essa sensação de ‘sonho’ em mim… BAM! Sei que fui fisgada.

Uma reunião de grandes personagens

Outro ponto alto no livro foi a construção de Ashley, essa personagem onipresente, que mesmo aparecendo morta no início do livro, está LÁ o tempo todo – e criamos afinidade com ela, torcemos por ela, aprendemos a amá-la – ou temê-la? 

Também me apeguei muito às personagens protagonistas – Scott, Nora e Hopper, um trio muito heterogêneo e com uma química excelente, que me emocionou e deixou meu coração acelerado em diversas passagens. 

O ritmo de Filme Noturno começa lento, mas vai acelerando loucamente para dar uma ou outra freada brusca, nos deixando sem fôlego e sedentos por mais – o que vai acontecer depois? POR QUE isso aconteceu? Quem eram aquelas pessoas? E como esse mistério vai se resolver?

Olha, que aventura! Se a autora aparecesse com mais 10 livros falando sobre Cordova, eu leria sem pestanejar.