Augusto é um calejado senhor de 72 anos que já viveu muita coisa nessa vida. Durante suas diversas fases, viveu alguns amores e desamores, alegrias e dores: todas elas com 5 mulheres, que ele as chama sob o pseudônimo de “Vitória”. Neste livro, Augusto relata, desde a adolescência até a velhice, sua trajetória e as experiências de suas aventuras amorosas.

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As Vitórias

Eis um livro sensível e com diversas passagens que me trouxeram um gostinho doce e amargo.

Logo de cara, já adorei o fato de o narrador decidir chamar todas essas mulheres importantes na vida dele de “Vitória’’. Além do trocadilho do título – que eu achei muito bom -, há toda uma carga poética em chamar essas personagens sob um mesmo nome, sinalizando como elas passaram pela vida do protagonista e, apesar de estarem relacionadas a um fracasso, acabam sendo necessárias para fazer com ele se desenvolva e chegue onde ele está, como um homem que viveu e amou intensamente.

A vida é curta, meu amigo! A morte é para sempre.

As reflexões

A narrativa do Bruno é fácil de ler, e apesar de não ser totalmente objetiva ou linear, traz diversas reflexões – tanto nos diálogos das personagens quanto no modo como o narrador se expressa ao contar suas desventuras.

Em diversas passagens, me peguei pensando “Nossa, que poético”, ou “Nossa, é mesmo, por que nunca pensei nisso dessa forma antes?”

Augusto, nosso protagonista, questiona tudo e tem ideias muito próprias na sua cabeça. Algumas vezes, ele pode ficar pensando e discorrendo sobre alguma reflexão e dando voltas nesse pensamento; o que é interessante, porque consegue expressar como a mente humana tende a divagar resultando em uma evolução mais profunda desses pensamentos.

A experiência de degustar uma cerveja só é completa se acompanhada de um cigarro. É como se fosse o cobrir do seu pai sobre você antes de dormir e outro fosse o beijo na testa da sua mãe para que você possa dormir em paz. Os dois, quando juntos, são perfeitos.

A ambientação

A história de Augusto começa em São Paulo, mas vai até Curitiba, então até os Los Angeles, Rio de Janeiro, Estocolmo.

Apesar de eu não conhecer pessoalmente muitos dos lugares citados – como Curitiba, Paraty e Estocolmo – o jeito como o autor descreve as cenas ficaram bem claras e marcadas em minha cabeça. Uma das minhas passagens favoritas acontece em Paraty, na beira de um cais, com a música “Anunciação’’ do Alceu Valença tocando como música de fundo.

Achei essa passagem extremamente sensível, simbólica e eu conseguia até sentir a brisa do mar e ouvir a música em meus pensamentos enquanto lia. Outra cena memorável para mim aconteceu no Griffith Park, em Los Angeles, lugar onde visitei esse ano com meu marido e, portanto, guardo lembranças e experiências muito boas que pude unir às narradas no livro.

Ao escrever algumas passagens do livro, Bruno mostra ao leitor que ele sabe do que está falando – não apenas sobre relacionamentos e seus sentimentos, mas sobre ciência, filosofia e outros assuntos que vão surgindo durante a leitura. Dessa forma, fica fácil de acreditar que o autor está se abrindo e expondo suas experiências mais pessoais e marcantes a nós, seus leitores.

“Fracassos Amorosos com Vitórias” é uma leitura gostosa, rápida e que aqueceu meu coração ao mesmo tempo em que também me fez chorar. Como romance de estreia, Bruno conseguiu mais uma vitória para contar.

Veredito final: 5 ⭐️