Rita, professora universitária, começa a ter visões de uma realidade paralela, como se estivesse o tempo todo mergulhada num aquário. Em casa, no trabalho ou na rua, ela se vê rodeada por seres aquáticos e especialmente pelo “grande peixe”, uma criatura fantasmagórica que a persegue, mas que ninguém mais enxerga. Como se não bastasse, sua pele é tomada por escamas aos poucos, de forma dolorida e fantástica. Brânquias surgem em seu corpo, e isso pode significar o início ou o fim de uma jornada.
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Já inicio essa resenha com o disclaimer: Não sou a melhor leitora para julgar livros de realismo fantástico/mágico, pois esse tipo de leitura sempre me deixa um tanto confusa. Assim, as chances de eu estranhar e não aproveitar totalmente uma obra dessa gênero são grandes.
“Mulher com Brânquias” me lembrou muito de “Uma Casa no Fundo de um Lago”, do Josh Malerman (também teve resenha! Confira aqui), o que é uma pena, uma vez que esse foi um livro que não gostei nem um pouco (apesar de, no fim, entender a metáfora e as ideias do autor, ainda achei que ele poderia ter sido bem melhor).
De qualquer forma, com “Mulher com Brânquias”, tive a mesma experiência: uma constante sensação de que estava faltando algo, de que o livro não atingiu seu total potencial.
O problema das metáforas
Como em muitos livros do gênero de realismo fantástico, temos um uso pesado de metáforas, aplicadas de forma até um tanto óbvia demais. Quando digo que essas metáforas são óbvias, me refiro àquelas cenas em que você lê e pensa algo como: “Bom, está na cara que o autor quis dizer algo com isso. Não é possível que realmente exista um peixe gigante flutuando no meio do quintal da mulher”.
E essa falta de sutileza me incomodou um pouco. Acho que assimilei as ideias que estão por trás de toda essa fantasia, dos elementos fantásticos e surreais, mais ou menos como um quadro de Dali – mas o resto dos elementos no livro simplesmente não casaram, e me decepcionaram um pouco.
Interessante, mas não tanto
A história, em certos pontos, se tornou um tanto cansativa. Tanto que livro é bem curto, mas ainda assim senti que ele se arrastou, pois os acontecimentos demoravam para se desenrolar. Alguns detalhes achei até um pouco desnecessários, recebendo mais destaque em detrimento de outros acontecimentos que, talvez melhor explicados, poderiam ter ligado melhor os pontos do enredo.
A autora ainda criou todo um contexto, umas histórias obscuras que perseguem a família da protagonista, e apesar de ter achado isso um ponto positivo e que me manteve interessada, acho que não foi explorado bem o suficiente para ser bom, sabe. Senti sempre que ela poderia mergulhar mais FUNDO (sem trocadilhos com o fundo do mar). Afinal, se é para fazer realismo fantástico, vai fundo com algo que me deixe completamente exacerbada.
Além disso, algumas coisas só foram explicadas no desfecho mesmo, e acho que o livro demorou muitíssimo pra chegar onde tinha que chegar.
A escrita da autora não me incomodou em nenhum momento, mas também não foi algo que me chamou a atenção a ponto de dar uma classificação maior do que 3 estrelas.



