Um amor inesperado que surge de forma inusitada e arrebata a vida de Grace Harris. Grace está perdida e sozinha em sua casa depois que o homem que ela pensou que ficaria a seu lado pelo resto da vida traiu sua confiança, partiu seu coração e saiu de casa, deixando seu casamento em suspenso. Grace resolve, então, passar o verão com a família em sua cidade natal, para respirar, dar um tempo de tudo. Sua vida está uma bagunça e o que ela precisa no momento é de um pouco de gentileza e compaixão.
Editora Record | 420 páginas | Ver no Skoob
Oi pessoal! Faz um tempo que não posto nenhuma resenha por aqui. Porém, A leitura de “Vergonha” me surpreendeu tanto que consegui encontrar um tempo entre minha rotina caótica para poder falar um pouquinho sobre esse livro.
Nunca julgue um livro pela capa. MESMO.
Bem, confesso que à primeira vista, TUDO nesse livro me repele como leitora – desde a capa apelativa, que sugere um romance erótico (gênero que não gosto), até o título também sugestivo e à sinopse.
Abrindo um parênteses aqui, totalmente fora do escopo de resenha – toda vez que penso ou vejo o título desse livro, automaticamente começo a cantar na minha cabeça aquela música do Rei Leão 2: “Vergonha… Desgraça… Humilhação para toda uma raça…”

A edição brasileira se manteve cem por cento fiel à capa original norte americana, portanto atribuo à edição original o erro que foi essa capa. Além de ser feia esteticamente falando, vende uma ideia totalmente errada sobre o livro, decepcionando quem espera cenas extremamente eróticas e espantando potenciais leitores que pudessem se interessar pela história.
O título na verdade pode até estar diretamente relacionado à vergonha alheia que eu senti olhando para essa capa. Porém… Que surpresa (boa) foi a leitura desse livro!
Evolução de personagens
Justamente por causa do atrito inicial com a capa, fui me surpreendendo com as personagens no decorrer da leitura. Afinal, com uma capa dessas, eu imaginava todos os estereótipos de livros eróticos reunidos em um só lugar. Apesar de termos esses estereótipos, tiro o chapéu para a autora, pois ela soube trabalhar com eles.
A começar pela Grace, nossa protagonista que, apesar de inicialmente ser passiva e “boba” (que justificadamente é assim, por conta de sua criação como filha do pastor em uma cidade pequena sulista), adquire uma personalidade forte e com quem consegui me identificar ao longo do livro. Fiquei até surpresa, porque geralmente não costumo gostar de personagens femininas assim em romances, mas a Grace foi um ponto positivo.
A outra personagem principal, Jackson, é o tradicional “bad boy” – odiado por todos na cidade, extremamente lindo mas de um jeito rude, o arrasador de corações das boas moças. Porém, por mais clichê que isso possa soar, eu criei tanta empatia por ele que só posso atribuir isso aos talentos de escrita da autora, que conseguiu usar papeis clichês de um modo convincente e bem feito.
De fato, a autora traz, ao longo do livro, um desenvolvimento de personagens que achei no ponto – acompanhamos a evolução de ambos e passamos a torcer por eles. O clichê menina boazinha e bad boy toma forma de um jeito bacana, que por mais que já esperávamos que fosse acontecer, aconteceu de forma fluida e que para mim foi ótima.
Sexo na medida
Além disso, apesar da capa, o livro NÃO é erótico propriamente falando. Para falar a verdade, nele existe praticamente só uma cena de sexo no livro todo, que eu até achei dispensável para a história como um todo. Porém, ela não afetou em nada pra mim a experiência da leitura e, para quem gosta do gênero, acho que não decepciona.
O que achei interessante é que o sexo é um elemento de certa forma relevante para a trama, mas a autora conseguiu tratar disso sem precisar de fato descrever as cenas o tempo todo. Me sinto muito mais confortável ao ler livros assim, mais sutis, do que os que são eróticos como um gênero literário.

Uma lição sobre empatia
O cenário de “Vergonha” é uma pequena cidade no interior sulista dos Estados Unidos. Como em toda cidade pequena, os habitantes se conhecem – e se julgam o tempo todo.
As personagens se vêem julgadas o tempo todo, vítimas de fofocas e olhares atravessados, e cada uma delas lida com isso de uma forma diferente. Achei especialmente interessante o modo como a autora nos faz questionar nossas próprias atitudes ao olhar e julgar outra pessoa.
Será que não fomos preconceituosos e superficiais também ao dizer algo de outra pessoa, sem saber o que ela está vivendo?
Outro ponto positivo foram os personagens secundários também bem desenvolvidas – como os pais da Grace e os pais do Jackson. As famílias das personagens desempenham um papel super importante na história, e essa construção foi bem executada.
No final, fiquei feliz por ter me despido dos preconceitos e ter lido esse livro! Mas essa capa ainda me incomoda sim, e gostaria de ter um tempo para poder sugerir uma mais interessante.



