Em “Vida Assistida”, a idealista Toby Harper trabalha no tranquilo turno da noite da emergência do Hospital Springer. O horário permite que ela se dedique à mãe, que sofre de Alzheimer. Mas esta rotina está prestes a desabar, depois que ela admite um homem em condições críticas causadas por uma possível infecção viral do cérebro. O paciente mal responde ao tratamento e, então, desaparece sem deixar pistas. Antes que Toby possa encontrá-lo, um segundo caso ocorre, revelando um fato terrível: o vírus só pode ser transmitido através da troca direta da tecidos. Seguindo uma pista de mortes que vai de uma jovem prostituta grávida de 16 anos até a sua própria casa, Toby descobre o impensável: a epidemia não aconteceu espontaneamente — alguém a deflagrou.

400 páginas | Editora Record | Ver no Skoob

Sempre começo uma leitura nova da Tess Gerritsen com bastante expectativas, porque tenho certeza que vou ler algo ótimo. E mais uma vez, eu estava certa; “Vida Assistida” é um dos melhores livros da Tess, e olha que essa mulher tem inúmeros livros bons no seu curriculum.

Em “Vida Assistida”, Tess acertou em inúmeras coisas que o fizeram um livro impossível de largar. Quando eu não estava lendo, estava pensando no livro e em o que aconteceria – não é surpresa que o devorei e terminei em menos de 48 horas.

Personagens que amamos

Assim como nos outros romances de Tess, temos uma protagonista feminina forte e inteligente, para quem amamos torcer – a Dra. Harper é curiosa, impulsiva e teimosa. Sua personalidade forte me lembrou muito o personagem Jack Stapleton de Robin Cook, outro autor consagrado de thrillers médicos (não é surpresa dizerem que a Tess Gerritsen é a “versão feminina” do Robin Cook). É muito fácil gostar desse tipo de personagem, pois ele não é passivo (ou seja, ele vai atrás de satisfazer a sua curiosidade, leitor) e também não é perfeito – ele comete erros, faz besteiras, tem sentimentos. É um personagem bastante humano.

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Eu imaginei a Dra. Toby Harper igual a Meg Ryan em “Cidade dos Anjos” 

Os personagens secundários também são humanos e você cria laços com algum deles – inclusive, me peguei chorando por causa de um deles. Acho que foi a primeira vez que chorei lendo um livro da Tess.

A curiosidade mórbida fala mais alto

Além dessa riqueza de personagens e personalidades, temos uma história super interessante e até sinistra – thrillers médicos geralmente trazem tramas mais complexas, mas fascinantes. Os temas abordados nesse livro vão desde príons (proteínas defeituosas que geram doenças como a da vaca louca) até o mal de Alzheimer.

Algumas doenças/anomalias levantadas nesse livro mexeram com minha curiosidade mórbida também. Aliás, thrillers médicos sempre fazem isso comigo. Eu adoro uma cena de necropsia… me julguem! hahahah

O tema principal também me lembrou “Servidão Mental” do Robin Cook mais de uma vez. Não falarei mais sobre os temas porque poderia ser um spoiler, se você ligar os pontos direitinho 😉

Mas o que mais amo na escrita da Tess Gerritsen é que ela consegue incluir informações médicas de forma sutil em seus livros, através de diálogos, pensamentos das personagens e descrição dos procedimentos. A leitura nunca é pesada e cheia de termos técnicos; você aprende sem perceber, enquanto está imerso na história.

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Depois de alguns livros da Tess e do Robin Cook já me sinto o Dr. House

“Vida Assistida” é um dos primeiros livros que Tess escreveu, antes de emplacar com a série Rizzoli & Isles, e justamente por ter sido escrito tão no início de sua carreira, é possível identificar alguns deslizes que a autora cometeu (mas nada grave; de fato, é interessante ler um de seus livros mais antigos e depois comparar com os últimos, pois dá para perceber como ela evoluiu bastante em sua escrita).

Só umas coisinhas poderiam melhorar

Eu digo “deslizes” porque não posso considerar esses elementos como “erros” ou pontos negativos, mas pequenas coisas que poderiam ser melhoradas:

  • O romance que acontece o desenrolar do livro não chega a ser muito bem trabalhado e parece um tanto superficial. Não me incomoda, mas dá para sentir lá no fundo que a Tess colocou aquilo ali só para o livro ficar mais interessante;
  • No final, algumas coisas acontecem de forma muito abrupta levando ao ápice. Não há explicações sobre algumas coisas (isso sim me incomodou!), e me pareceu que a Tess estava apressada para terminar logo o livro e escreveu o desfecho sem caprichar muito.

De qualquer forma, foi uma leitura excelente! Recomendo muitíssimo para quem conhece a Tess e também para quem quer conhecê-la.

Veredito final: 4,5 ⭐️